sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
A foliã e o andarilho
Não sei. Só sei que foi assim, certamente diria Chicó. Não sou gauche nem sou Carlos, mas encontrei umas pedras no meio do caminho.
Naquela quarta feira haviam cinzas.
Eu ansiosa e confusa pelas brasas mortas que assaram a carne de Carnaval e não me alimentaram tanto o espírito.
Com vontade de comer e já não tinha fome. Tinha era uma bússola guardada no coração.
Se nosso destino é inventado, livre arbítrio é o norte anarco-tântrico da jovem andarilha travestida de velha foliã. Eu olho as escolhas como a um mapa e elas me guiam aos encontros. Às vezes aos desencontros.
Meu novo encontro chegou, em pleno pôr do sol de um dia de chuva.
Andarilho como eu. Dessa vez era ele quem estava de passagem.
Entre chás, dubs e pranayamas, uma noite se passou. De manhã ele sorriu. Ouviu meus sonhos, me beijou e partiu.
Deixou a freqüência da paz, do acalento, da certeza, do sossego.
Com coração fervido na água que nos molhava só para contrariar as cinzas da quarta feira que teimaram em não arder.
Mãe, eu não sou cristã, mas acho que conheci um anjo.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Da boca eu falo
Escorre mel, escorre fel, escorre nada
Do corpo escorre uma vomtade descabida
Sonhos não pensados. Escorre mínimas feridas
Da alma nada escorre, tudo inunda
Em minha altivez eu sou profunda
Esse poema me completa, me contempla
Vácuo venha a mim, pois estou plena
Venham anjos ou abutres, sou serena.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Meus desencontros são com gente que não tem poesia em seus corações. E não sabem viver de metáforas. E por isso não podem me compreender. E são exatos demais. E vêem um elefante onde eu vejo um arco íris. E vêem uma luz branca onde eu vejo fractais. Eu sou incabível. Minha alma não se comunica com essas divergências. Cansei de brigar. Quero o calor de quem me aceita só de olhar.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Nesse jogo de valores qual é meu preço?
Pago o preço que for pra me despir das minhas idéias
Pra te vestir com minhas idéias
Pra fazer das suas idéias as minhas
Eu valho menos corrompida pelos seus valores?
Eu não valho nada vestida com minhas mentiras?
E na roleta russa desse meu guarda roupa obsceno, quem me dá mais garantia?
sexta-feira, 11 de julho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
Gosto do cheiro dos outros encruado na minha pele. Cheiro é o maior atestado de amor que o amor pode dar. Daquele amor em seu estado mais primitivo, sem delongas nem contratos. Do amor que fica porque foi intenso demais pra durar toda eternidade. Daquele amor que é amor porque foi devidamente compartilhado e expande o peito até o infinito. Daquele amor que se transforma mas nunca acaba. Porque amor não acaba, só multiplica.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
sábado, 4 de setembro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O espantalho e a mariposa
No seu milharal de fantasias
Ele é boneco a que tudo assiste impávido
Ela uma pequena intrusa que teimosa roça seu rosto e o chama pra brincar
Inquieta, não sossega diante da estaticidade do amigo
E deixá-la pousar suavemente no seu ombro troncho
Para descansar sob seus cabelos de palha
Sonhando que juntos possam um dia de mãos dadas passear
Ele é boneco a que tudo assiste impávido
Ela uma pequena intrusa que teimosa roça seu rosto e o chama pra brincar
Inquieta, não sossega diante da estaticidade do amigo
E sem compreender, dança dança até cansar
Ou também seria o contrário
Ele o maestro de uma música louca
Ela delicada bailarina
Esforçada em afinar os passos com seus acordes
Executa a bela coreografia que o deixa encantado a ponto de baixar a guardaE deixá-la pousar suavemente no seu ombro troncho
Para descansar sob seus cabelos de palha
Sonhando que juntos possam um dia de mãos dadas passear
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Parte I
Em parte o que se há sofrido
Se parte nesse chão batido
A parte o coração partido
Parte em ruas sem sentido
Se parte nesse chão batido
A parte o coração partido
Parte em ruas sem sentido
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Do not push the button
Entre o excesso e o marasmo
Entre o que quero e o duvido
Nada além de poesia
Pra mim agora faz sentido
Entre o que quero e o duvido
Nada além de poesia
Pra mim agora faz sentido
domingo, 26 de abril de 2009
Pequena consideração sobre o amor
O que penso do amor?
Do amor não penso nada
É um território estranho ainda não inundado pela confusa da minha alma
Eu penso que tudo que penso é sobre desejo
Em suma, amor é mistério
Eu entendo é de beijo
Do amor não penso nada
É um território estranho ainda não inundado pela confusa da minha alma
Eu penso que tudo que penso é sobre desejo
Em suma, amor é mistério
Eu entendo é de beijo
segunda-feira, 6 de abril de 2009
"Canta uma esperança desatinada para que enfureçam silenciosamente os cadáveres dos afogados.
Canta para que grasne sarcasticamente o corvo que tens pousado sobre tua omoplata atlética.
Arranca do mais fundo a tua pureza e lança-a sobre o corpo felpudo das aranhas.
Ri dos touros selvagens carregando nos chifres virgens nuas para o estupro nas montanhas.
Pula sobre o leito cru dos sádicos, dos histéricos, dos masturbados e dança!
Dança para a lua que está escorrendo lentamente pelo ventre das menstruadas.
Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas.
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios.
Canta! Canta demais!
Nada há como o amor para matar a vida.
Amor que é bem o amor da inocência primeira!
Canta! O coração da donzela ficará queimando eternamente a cinza morta.
Para o horror dos monges, dos cortesãos, das prostitutas e dos pederastas.
Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro.
E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza!"
Trecho de Balada Feroz- Vinícius de Moraes
Canta para que grasne sarcasticamente o corvo que tens pousado sobre tua omoplata atlética.
Arranca do mais fundo a tua pureza e lança-a sobre o corpo felpudo das aranhas.
Ri dos touros selvagens carregando nos chifres virgens nuas para o estupro nas montanhas.
Pula sobre o leito cru dos sádicos, dos histéricos, dos masturbados e dança!
Dança para a lua que está escorrendo lentamente pelo ventre das menstruadas.
Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas.
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios.
Canta! Canta demais!
Nada há como o amor para matar a vida.
Amor que é bem o amor da inocência primeira!
Canta! O coração da donzela ficará queimando eternamente a cinza morta.
Para o horror dos monges, dos cortesãos, das prostitutas e dos pederastas.
Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro.
E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza!"
Trecho de Balada Feroz- Vinícius de Moraes
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