O que penso do amor?
Do amor não penso nada
É um território estranho ainda não inundado pela confusa da minha alma
Eu penso que tudo que penso é sobre desejo
Em suma, amor é mistério
Eu entendo é de beijo
domingo, 26 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
"Canta uma esperança desatinada para que enfureçam silenciosamente os cadáveres dos afogados.
Canta para que grasne sarcasticamente o corvo que tens pousado sobre tua omoplata atlética.
Arranca do mais fundo a tua pureza e lança-a sobre o corpo felpudo das aranhas.
Ri dos touros selvagens carregando nos chifres virgens nuas para o estupro nas montanhas.
Pula sobre o leito cru dos sádicos, dos histéricos, dos masturbados e dança!
Dança para a lua que está escorrendo lentamente pelo ventre das menstruadas.
Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas.
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios.
Canta! Canta demais!
Nada há como o amor para matar a vida.
Amor que é bem o amor da inocência primeira!
Canta! O coração da donzela ficará queimando eternamente a cinza morta.
Para o horror dos monges, dos cortesãos, das prostitutas e dos pederastas.
Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro.
E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza!"
Trecho de Balada Feroz- Vinícius de Moraes
Canta para que grasne sarcasticamente o corvo que tens pousado sobre tua omoplata atlética.
Arranca do mais fundo a tua pureza e lança-a sobre o corpo felpudo das aranhas.
Ri dos touros selvagens carregando nos chifres virgens nuas para o estupro nas montanhas.
Pula sobre o leito cru dos sádicos, dos histéricos, dos masturbados e dança!
Dança para a lua que está escorrendo lentamente pelo ventre das menstruadas.
Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas.
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios.
Canta! Canta demais!
Nada há como o amor para matar a vida.
Amor que é bem o amor da inocência primeira!
Canta! O coração da donzela ficará queimando eternamente a cinza morta.
Para o horror dos monges, dos cortesãos, das prostitutas e dos pederastas.
Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro.
E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza!"
Trecho de Balada Feroz- Vinícius de Moraes
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Recorte
São mil as possibilidades de me ver enraizada
E no entanto paira essa sensação hostil
De uma falta de chão
Nesse chão que eu ainda piso tal qual uma inválida
Essa segurança um pouco solta
Dentro de mim se desamarra
E eu me jogo no corrimão dessas escadas
Numa recusa à vertigem
Cedo à queda e à gravidade que me chama
E me uno a terra pra colher a sua força
Mas logo dela também me desenlaço
Que já do alto me convidam as nuvens a um bailado intenso
E viro ar até embrulhar o estômago
E me estilhaçar até o pó
Assim sendo, pó, sou recomeço
E no entanto paira essa sensação hostil
De uma falta de chão
Nesse chão que eu ainda piso tal qual uma inválida
Essa segurança um pouco solta
Dentro de mim se desamarra
E eu me jogo no corrimão dessas escadas
Numa recusa à vertigem
Cedo à queda e à gravidade que me chama
E me uno a terra pra colher a sua força
Mas logo dela também me desenlaço
Que já do alto me convidam as nuvens a um bailado intenso
E viro ar até embrulhar o estômago
E me estilhaçar até o pó
Assim sendo, pó, sou recomeço
E daí é só um passo pra me modelar em flor ou visitante
Expectar na galeria escura
Ou me inundar na imundície deliciosa de pântanos e de charcos
É tudo minha casa
Embora eu não a preencha como deveria
Falta a altura certa ao meu corpo pequeno
E me faltam portas à imaginação alargada
No final das contas me falta é apenas dizer:
que não, não falta nada
19/12/2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Auto afirmada
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Sem dó nem piedade...
É preciso romper com o mundo
Mesmo quando ele, imundo
Te dá um tapa na cara
Te acerta, sem vacilar
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Amor que com amor não se paga
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Euforia desatinada
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Antologia cotidiana

A vida te atormenta com questões idôneas
Te faz concessões frágeis
E confissões sutis
Quem és tu no teu cotidiano vil?
Movimentando-se por reprimendas
E se ocultando em documentos mil?
Essa crise de identidade
Que vai te levando além
Deveras vai te afogando
Num chá de desespero
E nesse destempero
Tu vais deixando aquém
Todas as tuas expectativas
Transformas-te em questões mesquinhas
Vais e vens
Entre picuinhas
Depois te entregas à cirurgia plástica
E num passe de mágica
Renovas-te, numa medida prática
Te satisfazes de maneira sádica
E nem sequer te lembras do que tu eras
Ou do que tu és?
Quem saberá?
14/09/07
Te faz concessões frágeis
E confissões sutis
Quem és tu no teu cotidiano vil?
Movimentando-se por reprimendas
E se ocultando em documentos mil?
Essa crise de identidade
Que vai te levando além
Deveras vai te afogando
Num chá de desespero
E nesse destempero
Tu vais deixando aquém
Todas as tuas expectativas
Transformas-te em questões mesquinhas
Vais e vens
Entre picuinhas
Depois te entregas à cirurgia plástica
E num passe de mágica
Renovas-te, numa medida prática
Te satisfazes de maneira sádica
E nem sequer te lembras do que tu eras
Ou do que tu és?
Quem saberá?
14/09/07
terça-feira, 28 de agosto de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
"Deixei atrás os erros do que fui
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
No episódio que fui e na paragem
No desvio que foi cada vizinho
Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua"
Fernando Pessoa
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
No episódio que fui e na paragem
No desvio que foi cada vizinho
Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua"
Fernando Pessoa
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
O dilema
domingo, 12 de agosto de 2007
Mal passada
Essa aflição...
Essencial como um mau pressságio
Me dá a dimensão exata
Do teu descaso
De tua amargura e solidão
Eu quero perder teu contato
E esquecer tua descompreensão
Ser firme, ser não
Se chega, já te destrato
Me vingo da tua falta de tato
No meu bem querer abstrato
Onde saltas pro alto
E te faltas o chão
12/08/07
"Eu queria querer te amar o amor
Constrir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero e não queres como sou
Não te quero e não queres com és
Oh! Bruta flor do querer
Oh! Bruta flor, bruta flor..."
Caetano veloso- O quereres
Essencial como um mau pressságio
Me dá a dimensão exata
Do teu descaso
De tua amargura e solidão
Eu quero perder teu contato
E esquecer tua descompreensão
Ser firme, ser não
Se chega, já te destrato
Me vingo da tua falta de tato
No meu bem querer abstrato
Onde saltas pro alto
E te faltas o chão
12/08/07
"Eu queria querer te amar o amor
Constrir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero e não queres como sou
Não te quero e não queres com és
Oh! Bruta flor do querer
Oh! Bruta flor, bruta flor..."
Caetano veloso- O quereres
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Soneto de separação
"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
Vinícius de Morais- Antologia Poética
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
Vinícius de Morais- Antologia Poética
Fragmentos nulos

É tantas e tão pouca
Tão leve e tão solta
Que lama lhe cobre
E vento lhe acaricia
Agora ela é nobre
rica e bendita
Pulsa, com maestria
Mas de repente descobre
Mil portas
E já se ia
Ia no areal
Na venda
Já se dizia:
Dê-lhe seu carnaval
Não foi por mal
Que vinha o dia
Caminhe o que é normal
E afaste o mal
Porque é Maria
07/08/07
"Pousa-se toda Maria
No varal das vinte duas fadas nuas loirinhas
Foste besouro Maria
E a aba do Pierrot descosturou na bainha
(...)
Sou a pessoa Maria
Na água quente e boa gente tua Maria
Voa quem voa Maria
e a alma sempre boa sempre vou a Maria
(...)
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa Maria
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa
Maria"
(Maria de Verdade- Marisa Monte)
Tão leve e tão solta
Que lama lhe cobre
E vento lhe acaricia
Agora ela é nobre
rica e bendita
Pulsa, com maestria
Mas de repente descobre
Mil portas
E já se ia
Ia no areal
Na venda
Já se dizia:
Dê-lhe seu carnaval
Não foi por mal
Que vinha o dia
Caminhe o que é normal
E afaste o mal
Porque é Maria
07/08/07
"Pousa-se toda Maria
No varal das vinte duas fadas nuas loirinhas
Foste besouro Maria
E a aba do Pierrot descosturou na bainha
(...)
Sou a pessoa Maria
Na água quente e boa gente tua Maria
Voa quem voa Maria
e a alma sempre boa sempre vou a Maria
(...)
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa Maria
Tua pessoa Maria
Mesmo que doa
Maria"
(Maria de Verdade- Marisa Monte)
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
O bêbado e a equilibrista

Descompreendida ela espera
Que ele entenda
E lhe explique
Ele relax
De pileque
Pensa na gasolina
(Que está cara)
E ela de cara
Com tamanha insensatez
E tanta insensibilidade
Percrustada e descoberta
No meio da embriaguez
Dá piti e vai embora
Jura que se separa
Até o final do mês
Ele promete mundos e fundos
Que ele entenda
E lhe explique
Ele relax
De pileque
Pensa na gasolina
(Que está cara)
E ela de cara
Com tamanha insensatez
E tanta insensibilidade
Percrustada e descoberta
No meio da embriaguez
Dá piti e vai embora
Jura que se separa
Até o final do mês
Ele promete mundos e fundos
(Pra ela e pra todo mundo)
Chega em casa imundo
Chamando urubu de meu lôro
E periquito de pequinês
Acorda numa sede louca
Sem lenço, documento ou lembrança
De qual sorte virou freguês
Mas ela com dedo em riste
Esconde, é claro, que está triste
Que malandro aqui não tem vez
06/08/07
Chega em casa imundo
Chamando urubu de meu lôro
E periquito de pequinês
Acorda numa sede louca
Sem lenço, documento ou lembrança
De qual sorte virou freguês
Mas ela com dedo em riste
Esconde, é claro, que está triste
Que malandro aqui não tem vez
06/08/07
domingo, 5 de agosto de 2007
O transbordo
Inocente
Até que se prove o contrário
Eu tiro minha culpa
De dentro do teu armário
Sem fé, apego ou desesperança
Tu descobres que já não sou criança
Que brinco com fogo e me queimo
Vivo em desassossego
Não me escondo, não temo
Tropeço pelo caminho
Ébria de insatisfação, extâse e vinho
Me jogo do penhasco
Me espatifo no chão
Me quebro em três mil pedaços
Me perco, me acho
Seguro tua mão
Volto a tona
E enfrento a lona
Dessa vidinha clichê
Em que se cai e se levanta
Onde entre rimas se dança
Novela mexicana
Azeda, tamarinda
Às vezes doce de coco
Com pinta de obra prima

05/08/07
Até que se prove o contrário
Eu tiro minha culpa
De dentro do teu armário
Sem fé, apego ou desesperança
Tu descobres que já não sou criança
Que brinco com fogo e me queimo
Vivo em desassossego
Não me escondo, não temo
Tropeço pelo caminho
Ébria de insatisfação, extâse e vinho
Me jogo do penhasco
Me espatifo no chão
Me quebro em três mil pedaços
Me perco, me acho
Seguro tua mão
Volto a tona
E enfrento a lona
Dessa vidinha clichê
Em que se cai e se levanta
Onde entre rimas se dança
Novela mexicana
Azeda, tamarinda
Às vezes doce de coco
Com pinta de obra prima

05/08/07
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