quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tudo que sinto sou eu
Tudo que amo
Tudo que sofro e tolero
Sao pedacos de mim expostos ao vento...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"

Fernando Pessoa

sábado, 4 de setembro de 2010

Hoje eu me despeço
desse pedaço de mim que não mais reconheço
Entre a solidão e aquela hora
Com a dor de quem não chora

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O espantalho e a mariposa

No seu milharal de fantasias
Ele é boneco a que tudo assiste impávido
Ela uma pequena intrusa que teimosa roça seu rosto e o chama pra brincar
Inquieta, não sossega diante da estaticidade do amigo
Faz mil piuretas durante a  longa noite
E sem compreender, dança dança até cansar
Ou também seria o contrário
Ele o maestro de uma música louca
Ela  delicada bailarina
Esforçada em afinar os passos com seus acordes
Executa a bela coreografia que o deixa encantado a ponto de baixar a guarda
E deixá-la pousar suavemente no seu ombro troncho
Para descansar sob seus cabelos de palha
Sonhando que juntos possam um dia de mãos dadas passear

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Parte I

Em parte o que se há sofrido
Se parte nesse chão batido
A parte o coração partido
Parte em ruas sem sentido

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Do not push the button

Entre o excesso e o marasmo
Entre o que quero e o duvido
Nada além de poesia
Pra mim agora faz sentido

domingo, 26 de abril de 2009

Pequena consideração sobre o amor

O que penso do amor?
Do amor não penso nada
É um território estranho ainda não inundado pela confusa da minha alma
Eu penso que tudo que penso é sobre desejo
Em suma, amor é mistério
Eu entendo é de beijo

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Canta uma esperança desatinada para que enfureçam silenciosamente os cadáveres dos afogados.
Canta para que grasne sarcasticamente o corvo que tens pousado sobre tua omoplata atlética.
Arranca do mais fundo a tua pureza e lança-a sobre o corpo felpudo das aranhas.
Ri dos touros selvagens carregando nos chifres virgens nuas para o estupro nas montanhas.
Pula sobre o leito cru dos sádicos, dos histéricos, dos masturbados e dança!
Dança para a lua que está escorrendo lentamente pelo ventre das menstruadas.
Deita a tua alma sobre a podridão das latrinas e das fossas.
Por onde passou a miséria da condição dos escravos e dos gênios.
Canta! Canta demais!
Nada há como o amor para matar a vida.
Amor que é bem o amor da inocência primeira!
Canta! O coração da donzela ficará queimando eternamente a cinza morta.
Para o horror dos monges, dos cortesãos, das prostitutas e dos pederastas.
Suga aos cínicos o cinismo, aos covardes o medo, aos avaros o ouro.
E para que apodreçam como porcos, injeta-os de pureza!"

Trecho de Balada Feroz- Vinícius de Moraes
A angústia é minha casa
e eu preciso tirar férias
Eu preciso me sentar num mar de calmaria
Como convidada noutra casa
(também e ainda muito minha)
Passar dois ou três dias meio parva
Sem contudo me esquecer
Que angústia é minha casa
Não há como me perder

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Recorte


São mil as possibilidades de me ver enraizada
E no entanto paira essa sensação hostil
De uma falta de chão
Nesse chão que eu ainda piso tal qual uma inválida
Essa segurança um pouco solta
Dentro de mim se desamarra
E eu me jogo no corrimão dessas escadas
Numa recusa à vertigem
Cedo à queda e à gravidade que me chama
E me uno a terra pra colher a sua força
Mas logo dela também me desenlaço
Que já do alto me convidam as nuvens a um bailado intenso
E viro ar até embrulhar o estômago
E me estilhaçar até o pó
Assim sendo, pó, sou recomeço
E daí é só um passo pra me modelar em flor ou visitante
Expectar na galeria escura
Ou me inundar na imundície deliciosa de pântanos e de charcos
É tudo minha casa
Embora eu não a preencha como deveria
Falta a altura certa ao meu corpo pequeno
E me faltam portas à imaginação alargada
No final das contas me falta é apenas dizer:
que não, não falta nada

19/12/2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Auto afirmada


Essa ânsia de correr que me alimenta

Sou feroz no vício pela vida

Sou menina na dor e na ferida

Mas a angústia de mulher que em mim se cria

Me aferrenha a esse dia

E me sustenta


29/10/07

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Sem dó nem piedade...

É preciso romper com o mundo

Mesmo quando ele, imundo

Te dá um tapa na cara

Te acerta, sem vacilar



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Amor que com amor não se paga


Querer é o vício que te corrói aos poucos
Que te adoece
E, submisso ao outro
Para qualquer resposta sua pergunta é vaga
Nenhuma carícia afaga
Acolhe sua sede
Ou sedia sua paz
Você lento divaga
Balança
Entre a mágoa
A calma
E a obstinação

25/09/07
Imagem: Os amantes- Rene Magritte

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Herculóide


Há dias em que sou carga pesada

Fardo insuportável

Não consigo carregar


19/09/07

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Euforia desatinada


Invade minha casa
Com suas asas
Adentra minha vida
Sem ser convidada
Com a dentadura
escancarada
Eu a recuso
Não dá em nada
Ela abusa
dissimulada
Da minha calma
tão ensaiada
A minha paz
faz assaltada
E eu me quedo
reconquistada

http://www.zap-letras.com/letra/2455586/

18/09/07
Imagem: Pierre Verger- Cavalo Marinho

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Antologia cotidiana


A vida te atormenta com questões idôneas
Te faz concessões frágeis
E confissões sutis
Quem és tu no teu cotidiano vil?
Movimentando-se por reprimendas
E se ocultando em documentos mil?
Essa crise de identidade
Que vai te levando além
Deveras vai te afogando
Num chá de desespero
E nesse destempero
Tu vais deixando aquém
Todas as tuas expectativas
Transformas-te em questões mesquinhas
Vais e vens
Entre picuinhas
Depois te entregas à cirurgia plástica
E num passe de mágica
Renovas-te, numa medida prática
Te satisfazes de maneira sádica
E nem sequer te lembras do que tu eras
Ou do que tu és?
Quem saberá?

14/09/07

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Helianthus


Aonde me leva
essa procura por cura
Choramingo por dengo
Em minha loucura
Viro semente de mim
Necessitada de terra fértil
Sou polén espalhado
E em terreno acidentado
Sou projeto
De flor híbrida
Estranha e bela
Desconstruída
Muda de erva daninha
Desenchabida
Que na espera se aninha
E cresce, singela

28/08/07

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Veneno em infusão contínua...


Esse seu fogo fluído de água viva
Queima e não arde
Cora minha pele alva
E não me lesa
Que em minha cútis frágil
Eu guardo teu antídoto
E em minha alma calejada
Sempre o teu vício...

27/08/07
"Deixei atrás os erros do que fui
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
No episódio que fui e na paragem
No desvio que foi cada vizinho

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua"

Fernando Pessoa

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O dilema


Há dias que vivo a vida de outra
Pesada e plana
E calma
Sorriso franco
De mulher realizada
No funda era minha alma
Pedindo paz e sossego
Agora volto a mim
Ao meu pleno desassossego
O sorriso ainda franco
Aliviado mesmo
Insatisfeito

20/08/07
Imagem: Pierre Verger